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Um Amor sem fronteiras

Um Amor sem fronteiras

Braso D. Pedro

Inspirado no estilo de vida de São Francisco de Assis e na parábola do Bom Samaritano, Papa Francisco publicou mais uma encíclica que atrai o olhar do homem de fé e de todos os homens de boa vontade, intitulada “Fratelli Tutti”. Nela o Papa propõe um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço, isto é, um amor que não conhece limites e nem fronteiras. A fraternidade e a amizade social fazem com que valorizemos e amemos todas as pessoas, independente da sua condição social, étnica ou nacionalidade. Fazer com que todos sejam destinatários deste amor é o princípio da fraternidade universal, pois vivemos “às sombras de um mundo fechado”.

Por isso, Papa Francisco toma como referência a parábola do Evangelista Lucas, a fim de nos inspirar em nossas ações diante de um mundo fragilizado e dilacerado pelo consumismo e individualismo. O Papa não nega no corpo da Encíclica, que as questões relacionadas com a fraternidade e amizade social sempre estiveram entre as suas preocupações mais prementes (F T, 5); certo de que Deus criou todos os seres humanos e os chamou a conviver entre si como irmãos.

A proposta da Encíclica não se encerra numa pura ideia de fraternidade e amizade, mas quer se abrir a um diálogo concreto entre todos os que habitam esta “casa comum”. Tal diálogo torna imprescindível o reconhecimento da dignidade de cada pessoa humana. Se o Papa propõe à Igreja um caminho de sinodalidade para juntos superarmos o desafio da evangelização no mundo atual; da mesma forma, sugere nesta Encíclica o caminho de uma humanidade renovada a partir de uma vida aberta aos outros e de um sonho comum: “ninguém pode enfrentar a vida isoladamente; precisamos duma comunidade que nos apoie, que nos auxilie e dentro da qual nos ajudemos mutuamente a olhar em frente. Como é importante sonhar juntos! (…) sozinho, corre o risco de ter miragens, vendo aquilo que não existe; é juntos que se constroem os sonhos” (FT, 8).

A lógica de Deus que se revela plenamente e se doa no Mistério da Encarnação do seu Filho, nada mais é do que a superação do ódio, indiferença e dos conflitos, pois Cristo fez de todos os povos um só. A fraternidade é a virtude que permite sermos todos iguais, apesar das nossas diferenças. “Quando não se salvaguarda este princípio elementar, não há futuro para a fraternidade nem para a sobrevivência da humanidade” (FT, 107).

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No último dia vinte e oito, a Igreja do Brasil celebrou a Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo. Os dois apóstolos personificam a identidade da Igreja. Por caminhos diferentes, os dois deram o mesmo testemunho. No Evangelho de Mateus, lido no Ano litúrgico A, Jesus pergunta aos discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16,13). A resposta será dada por Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Tal resposta, vinda do Pai, já contém a semente da futura confissão de fé da Igreja, da qual Pedro é o fundamento e o chefe. Portanto, na definição da identidade de Jesus já desponta o papel eclesial de Pedro, onde a Igreja é convocada a professar a sua fé em comunhão com ele. Pedro aprende o significado real de seguir Jesus, e nos deixa esta lição. “Ubi Petrus, ibi Ecclesia”, ou seja, onde está Pedro, aí está a Igreja (Santo Ambrósio, Expositio in Ps., XL, §30).
Não são poucos os sinais na vida do apóstolo Pedro que indicam o desejo de Cristo em dar ao mesmo um destaque no Colégio Apostólico; o que se confirma na resposta de Pedro sobre a identidade de Jesus e em outras passagens em que ele fala em nome dos demais apóstolos. “Dentre estes, somente Pedro mereceu representar em toda parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: ‘Eu te darei as chaves do Reino dos Céus’ (Mt 16,19). Assim manifesta-se a superioridade de Pedro, que representa a universalidade e a unidade da Igreja. A ele era atribuído pessoalmente o que a todos foi dado” (Santo Agostinho, Sermo 295, PL 38, 1348-1352). Deste modo, podemos afirmar que, desde os primórdios, a Igreja reconhece o primado de Pedro e de seus sucessores.
Na última Ceia Cristo confere a Pedro o ministério de confirmar os irmãos, mostrando que o ministério a ele confiado é um dos elementos constitutivos da Igreja, a qual nasce da comunhão da Páscoa celebrada na Eucaristia. Pedro deve ser o guardião da comunhão com Cristo por todos os tempos, ou seja, ele deve guiar o povo à comunhão com Cristo (cf. Bento XVI, Os Apóstolos. Uma introdução às origens da fé cristã. Ed. Pensamento. São Paulo, p. 68). O Concílio Vaticano II sublinhou com sabedoria esta comunhão ao dizer: “Jesus Cristo, Bom Pastor, prepôs aos demais apóstolos o Bem-aventurado Pedro e nele instituiu o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade de fé e comunhão” (LG, 18).
 Neste sentido, torna-se muito oportuno e atual o que vem dito no Catecismo da Igreja Católica: “O papa, bispo de Roma e sucessor de São Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja. É o vigário de Cristo, chefe do Colégio dos bispos e Pastor de toda a Igreja, sobre a qual tem, por divina instituição, poder pleno, supremo, imediato e universal” (CIC, 881-882).
Diante de um quadro complexo de proliferações de “magistérios paralelos” em diversos setores de nossa realidade eclesial, gerando confusão e divisão, os bispos, como mestres na fé, e em comunhão com a cabeça do Colégio, devem construir e garantir a unidade da Igreja, pois a cultura do ‘mundanismo’, subjetivismo e relativismo, fere esta mesma unidade querida pelo próprio Cristo (ut omnes unum sint). Não podemos nos sentir Igreja fora da comunhão com o Papa. Somente juntos podemos estar com e em Cristo. Precisamos aprender a caminhar juntos, superando inúteis polarizações.
Por fim, para bem frisar o sentido teológico e litúrgico desta solenidade, vale a pena reler e refletir as preciosas e desafiadoras palavras do Papa Francisco: “Como o Senhor transformou Simão em Pedro, assim chama a cada um para fazer de nós pedras vivas, com as quais construir uma Igreja e uma humanidade renovadas. Há sempre quem destrua a unidade e quem apague a profecia, mas o Senhor acredita em nós e pede-te: queres ser construtor de unidade? Queres ser profeta do meu céu na terra? Deixemo-nos provocar por Jesus e ganhemos a coragem de lhe dizer: Sim quero! “ (Homilia na Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. Basílica de São Pedro, 29 de junho de 2020).

 

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