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Manter viva a Esperança

Manter viva a Esperança

Braso D. Pedro

O atual momento que estamos atravessando tem nos levado a uma tomada de consciência sobre a oportunidade que a quarentena nos proporciona como tempo de oração, reflexão e cuidado com a vida. Olhar e valorizar a vida como ela exige e merece, colocando em destaque nossos discursos, debates e ações, já é uma forma de nos vacinarmos contra o mal que acomete a humanidade.

No momento contemplativo é possível perceber que vivemos em um mundo de “aposta”, onde uns dão um lance na ficha da economia e outros no da vida. Parece um embate dialético que nunca encontra um momento sintético ou conciliador, quando, de um lado temos uma visão economicista da realidade e de outro a transcendência da vida que precede a tudo. Neste “vale tudo” exasperado emerge a questão: quem vai vencer, a vida ou o vírus? O trabalho ou a vida? Na ausência de uma proposta equilibrada e de bom senso, quase sempre, a visão integral da vida vem sacrificada. Não voltaremos a uma sadia qualidade de vida se vivermos numa sociedade permanentemente em conflito. A economia não pode se sobrepor à dignidade e inviolabilidade da vida.

O recém-lançado livro do Papa Francisco intitulado “Vida após a Pandemia”, que é uma coletânea de vários pronunciamentos neste tempo de pandemia, nos auxilia com algumas chaves de leitura para a reconstrução de um mundo melhor, a partir desta crise da humanidade. A complexidade do momento exige de cada cristão um semear de esperança iluminada pela fé. Trata-se de mensagens carregadas de uma visão positiva, onde o Papa clama pela unidade e esperança, sem excluir ninguém; propondo um mundo novo para todos, sem exceção. Deste mal é que pode vir um novo início para todos. Esta consciência renovada deve ser de todos, desde os humildes até os líderes políticos e as pessoas com poder de decisão. Temos que vencer os desafios globais fazendo com que toda a humanidade avance também, sem deixar ninguém para trás (Homilia no II Domingo da Páscoa. Vaticano, 2020). Trabalhar pelo bem comum; eis o “novo” da pós-pandemia.

“Há ainda a ameaça de nós sermos atingidos por um vírus ainda pior: o da indiferença egoísta” (Homilia II Domingo de Páscoa. Vaticano. 2020). Combater este vírus só será possível se o mundo pós-covid conseguir remover ou diminuir, expressivamente, as desigualdades. É deste mal que podemos tirar um bem transformador. O Papa nos pede coragem na inovação. Não devemos ter medo de nos aventurarmos por novos caminhos e de propor soluções inovadoras. Assim, uma nova era de solidariedade teria todos os seres humanos no mesmo patamar de dignidade; já que o desafio que enfrentamos nos une a todos, rompendo as barreiras das divisões e exclusões. Todas as pessoas devem estar no centro, unidas para curar, cuidar e compartilhar. “Sentir a dor do outro como sua, é o primeiro passo para o projeto de desenvolvimento humano integral. Nossa civilização precisa mudar, se repensar, se regenerar” (Papa Francisco. Um exército invisível. Carta aos movimentos populares. Vaticano: 12/04/2020).

Por fim, apesar do drama do hoje, vemos nele uma oportunidade para prepararmos o amanhã para todos. Cada um de nós pode dar uma pequena contribuição; já que vivemos na mesma casa comum e como membros da família humana. Que este tempo possa abrir a nossa visão de conjunto. Somente assim reconstruiremos um mundo novo, pois a esperança é mais forte que o desalento. O importante é manter viva a esperança.

 

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