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SEMINÁRIO DIOCESANO DE SEGURANÇA PÚBLICA É REALIZADO EM TRÊS CORAÇÕES

SEMINÁRIO DIOCESANO DE SEGURANÇA PÚBLICA É REALIZADO EM TRÊS CORAÇÕES

Seminario seg. pub 1No dia 23 de junho aconteceu em Três Corações, no Centro Diocesano de Pastoral, o Seminário Diocesano de Segurança Pública com a participação das Foranias da Diocese da Campanha, das Pastorais da Sobriedade e Carcerária, de representantes da Polícia Militar, do PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas da PM e do Corpo de Bombeiros do Estado de Minas Gerais. Lamentamos a ausência da Forania Nossa Senhora das Fontes.

O Seminário foi uma iniciativa da Coordenação de Pastoral e GRADI, a partir das conclusões dos grupos na formação da Campanha da Fraternidade neste ano de 2018, quando refletimos sobre “Fraternidade e superação da violência”, com o lema: “Vós sois todos irmãos” (Cf. Mt 23,8).

Cerca de cinquenta pessoas participaram do Seminário que foi dividido em três momentos, no primeiro a apresentação do relatório das Foranias sobre a violência, suas causas e consequências. No segundo momento, as iniciativas sócio-religiosas de superação da violência, e no terceiro momento, uma reflexão sobre a “Cultura da Paz” conduzida pelo Prof. Ms. Elvis Rezende.

Algumas instituições, embora convidadas, não puderam estar presentes, como a APAC e o Poder Judiciário, através do projeto Justiça Restaurativa.

Leia aqui a íntegra da Carta do Seminário Diocesano sobre Segurança Pública:

 

Três Corações, 23 de junho de 2017.

“De onde surgem os conflitos e competições que existem entre vocês? Não vêm exatamente dos prazeres que guerreiam nos seus membros? Vocês cobiçam, e não possuem; então matam. Vocês têm inveja, e não conseguem nada; então lutam e fazem guerra;” (Tg. 4, 1-2)

 

O povo de Deus desta Centenária Diocese da Campanha/MG, representado pelos delegados das Foranias, os Vigários Forâneos, agentes da Pastoral Carcerária, Pastoral da Sobriedade, Polícia Militar de Minas Gerais e Corpo de Bombeiros do Estado de Minas Gerais, reunidos no Seminário Diocesano sobre Segurança Pública, realizado nesta data, no Centro Diocesano de Pastoral, em Três Corações/MG, motivado pela Campanha da Fraternidade, cujo tema foi “Fraternidade e superação da violência” e o lema “Vós sois todos irmãos” (Mt. 23,8),atendendo à prioridade “promover a cultura da paz, da reconciliação e da justiça” conforme o Texto-Base da CF-2018, confrontou a realidade da violência na Diocese, partilhou iniciativas sócio-religiosas de superação e iluminou o cenário a partir da Doutrina Social da Igreja.

Num primeiro momento, apurou-se o mapa da violência nas cidades que compõem a Diocese, a partir de suas sete foranias, bem como, as atitudes de superação dessa violência que devem ser incentivadas:

1)        Forania Nossa Senhora de Fátima (Elói Mendes e Varginha) – destaque para violência doméstica que engloba cerca de 70% das ocorrências, na sua grande maioria desencadeada pelo uso de drogas e bebidas alcoólicas; aumento expressivo das ocorrências concomitantemente na zona urbana e rural.

2)        Forania Nossa Senhora das Fontes (Campanha, Careaçu, Cordislândia, Heliodora, Jesuânia, Lambari, Monsenhor Paulo, Natércia, Olímpio Noronha e São Gonçalo do Sapucaí) – não compareceu.

3)        Forania Beato Padre Vitor (Boa Esperança, Campo do Meio, Campos Gerais, Córrego do Ouro, Coqueiral, Guapé, Ilicínea, Nepomuceno, Santana da Vargem e Três Pontas) – exploração dos moradores da zona rural pelo comércio, tanto nos preços quanto na qualidade dos serviços; aumento das agressões aos moradores da zona rural, principalmente devido ao uso de drogas lícitas e ilícitas, agravada pela falta de assistência policial e jurídica, resultando em êxodo rural; relatos de “violência religiosa”, com as pessoas sendo ludibriadas por falsos “pastores”, levadas a fazer doações em detrimento da própria subsistência;

4)        Forania Nossa Senhora dos Campos (Cambuquira, Carmo da Cachoeira, São Bento Abade, São Thomé das Letras e Três Corações) – tráfico de drogas, violência sexual, violência contra a mulher, contra o idoso, altos índices de suicídio; sendo eixo das maiores capitais do país favorece a distribuição de grandes facções que recrutam menores para trabalhar no tráfico; áreas de extrema miséria; alcoolismo; “turismo da droga”; população rural desprotegida e sob ameaça constante, inclusive de violência sexual.

5)        Forania Nossa Senhora Aparecida (Alagoa, Itamonte, Itanhandu, Passa Quatro, Pouso Alto, Santana do Capivari, São Sebastião do Rio Verde e Virginia) – há problemas com drogas e álcool, sendo a região com menor densidade demográfica, apresenta baixos índices de violência, com registros de pequenos furtos, roubos e crimes pontuais.

6)        Forania Beata Nhá Chica (Airuoca, Baependi, Carvalhos, Caxambu, Cruzília, Conceição do Rio Verde, Seritinga e Serranos) –maiores índices de violência doméstica (crianças e idosos) desencadeadas pelo uso de drogas e álcool.

7)        Forania Nossa Senhora dos Montes (Carmo de Minas, Conceição das Pedras, Cristina, Dom Viçoso, Pedralva, São José do Alegre, São Lourenço e Soledade de Minas) – maior incidência de casos de violência devido ao uso de drogas, bem como o tráfico, gerando brigas familiares, rivalidade no tráfico e confrontos em outros ambientes de convívio. Aliado a esta situação está o uso de bebidas alcoólicas, que tem prejudicado diretamente a convivência familiar e social; são também relevantes os casos de violência sexual e contra a mulher, resultantes desse vício.

Pelo relatado, os presentes concluíram que a violência no território da Diocese da Campanha tem origem direta nas drogas lícitas e ilícitas; que a falta de empenho do poder público e a disfuncionalidade das famílias corroboram para a proliferação desse mal. Iniciativas como o PROERD(Programa Educacional de Resistência às Drogas) da Polícia Militar de Minas Gerais, vêm trazendo soluções para alguns desses problemas pois, ao educar as crianças, as sementes do bem estão sendo plantadas e há registros oficiais da eficiência do programa. Conclamamos as autoridades públicas a investirem nestes programas, bem como, em todo o sistema educacional.

Das iniciativas sócio-religiosas, destacamos em nossa Diocese o apoio fundamental da Pastoral da Sobriedade, acolhendo as pessoas dependentes e suas famílias, evangelizando pela busca de um estilo de vida sóbrio, propondo mudança e valorização da pessoa humana. Apoio também da Pastoral Carcerária que promove um serviço de escuta e acolhimento, contribui para o processo de iniciação à vida cristã e para a vivência dos sacramentos, e atua no enfrentamento às violações de direitos humanos e da dignidade humana que ocorrem dentro do cárcere.

No entanto, muito há para ser feito, a Constituição Federal em seu Art.144, caput diz:

“A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio,…”

Sendo dever do Estado, o mesmo precisa se organizar de modo a cumprir a lei, respeitar os direitos humanos e proteger a sociedade. Porém, é responsabilidade de todos e ninguém há que se furtar ao compromisso de buscar a paz, que é a finalidade do convívio social e anseio de todo ser humano. Toda pessoa possui uma inclinação para a paz e, essa predisposição já é um “reflexo de Deus”.

Mas o que fazer? Através de parcerias entre a Igreja e Poder Público, em programas de acolhimento, oficinas de esporte, trabalhos manuais, debates e discussões sobre as políticas públicas e sua aplicação; participação nos Conselhos Municipais de Segurança Pública e de Políticas Sobre as Drogas, dentre outros, conforme cada realidade.

É urgente que as paróquias abram suas portas para criar salas de apoio, de escuta e acompanhamento das pessoas que sofrem, sobretudo sob os efeitos das drogas lícitas e ilícitas; que incentivem a implantação da Pastoral da Sobriedade. Nós ouvimos e damos testemunho de que o trabalho dessa pastoral é fecundo e provavelmente seja nosso principal antídoto contra a violência gerada pelo uso de drogas, mal recorrente em toda a Diocese, atingindo as famílias e a sociedade.

A família deve ser o foco da ação, uma das prioridades eleitas em assembleia e contemplada no IV Plano Diocesano de Pastoral de Conjunto no ”Setor Família”. É preciso tratar da disfuncionalidade da família para que enfim, seja ela, a menor célula da sociedade e o sonho de Deus, o caminho para a superação da violência.

Concluindo, a paz é uma conseqüência, uma bênção de Deus! É fruto da justiça e da caridade! E é uma responsabilidade de todos! Coloquemos, pois, nossos dons e nosso tempo a serviço da superação da violência pela construção de uma cultura da paz. Que mais pessoas se dediquem a uma atuação criativa, corajosa, inovadora e cidadã na construção de redes de solidariedade. Que parcerias sejam buscadas para que enfim a paz reine entre nós.

Que Maria, sob o título de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira da Diocese da Campanha, e cujos outros cinco títulos nomeiam as Foranias, nesta parcela do Povo de Deus, abençoe e fortaleça o trabalho de todos que dispuserem a ser promotores da paz.

Em nome de todos os delegados presentes no Seminário Diocesano sobre Segurança Pública,

Pe. Jean Poul Hansen

Coordenador Diocesano de Pastoral da Diocese da Campanha/MG

 

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