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RAIVA, RANCOR, ÓDIO… ATÉ QUANDO?

RAIVA, RANCOR, ÓDIO… ATÉ QUANDO?

Jesus Cristo ensinou, com a vida e a palavra, que o perdão ocupa o centro da fé cristã e é a grande novidade que ele veio trazer.

O perdão foi o caminho que o Pai encontrou para recuperar a humanidade que havia se perdido para sempre por meio do pecado e do mal que ele gera. Não fosse este caminho, passaríamos a eternidade no ódio, sem saída para o rancor, o ressentimento e toda espécie de males que dele deriva. O caminho do perdão preparado para o Pai para nos reconciliar teve um preço muito alto, a vida do seu único Filho, Jesus Cristo. Em vez de nós pagarmos pela dívida dos nossos pecados, ele a pagou para nós. Há, desde a sua entrega por amor a nós na cruz, um caminho de perdão aberto para todos os que nele crerem.

Por sua palavra, Cristo ensinou que não há outro modo para a superação dos ódios, raivas, rancores e desentendimentos entre nós a não ser também o do perdão. Ele é o único meio de impedir que a espiral da violência causada pelo ódio se espalhe sobre a terra. Justiças baseadas em vinganças, em desprezos, em cancelamento das pessoas, só fazem gerar mais ódios e violências nos corações. Basta vermos a história humana sobre a terra ao longo de milênios.

Na parábola que Cristo contou aos seus discípulos acerca do perdão, especialmente a que está no evangelho de Mateus, no capítulo 18, versículos de 21 a 35, ele revelou que a dívida causada pelos nossos pecados ao longo da nossa vida não pode ser paga, a não ser pelo perdão misericordioso do Pai, que não olhou para a sua grandeza e nem a de seu Filho, mas, mesmo tão ofendido, não hesitou em nos conceder o seu perdão. Ao mesmo tempo, ele mostrou que as dívidas entre nós, frutos dos males que nos causamos, são infinitamente menores e passíveis do perdão que podemos oferecer a quem errou conosco. No entanto, por termos um juízo muito elevado sobre nós mesmos, sobre quem somos aos nossos próprios olhos, consideramos quase sempre, que qualquer ofensa contra nós é algo grande demais para ser perdoado. Por isso ficamos tão ofendidos quando alguém discorda de nossas opiniões, quando não nos dá o valor que julgamos ter, quando nos causa alguma espécie de mal. Não que a ofensa alheia seja algo fácil, não que não nos machuque, mas é que, ao não a perdoarmos, seguiremos com o rancor dentro de nós e, amargurados, quebraremos as pontes que permitem a reconciliação, fazendo o mal se perpetuar e se espalhar fora de nós.

O perdão pode parecer arma dos fracos, no entanto, só os fortes podem lançar mão dela, pois o mais fácil é sempre o caminho da vingança, do olho-por-olho, do ressentimento, pois no velho homem que nos habita, são estes os clamores constantes a serem realizados. O amor que perdoa é atitude do homem novo, gerado pelo Espírito Santo e que vive da graça de Deus e não apenas das forças humanas que temos. Ser homem novo é sempre mais desafiador.

A sociedade tem vivido um crescimento assustador da cultura do ódio, da vingança, do ressentimento, da divisão. No entanto, tais atitudes são completamente incompatíveis com o cristianismo, pois no coração de Jesus jamais habitou tais sentimentos. Quem deseja segui-lo, ser seu discípulo, precisa se decidir em andar pelos mesmos caminhos que ele andou. Responder com as mesmas estratégias do mundo é vergonhoso para quem diz acreditar em Jesus, em quem se denomina cristão. Sem o perdão, a humanidade não tem saída; sem o seu exercício, não há nenhuma luz possível diante dos desafios pelos quais temos passado. Sem a decisão firme pela cultura do perdão jamais chegaremos às respostas que podem mudar o mundo verdadeiramente, que podem curar os corações, que podem levar às verdadeiras saídas para as múltiplas crises que passamos.

Perdão não é ingenuidade nem romantismo, trata-se de viver pela fé em Cristo, trata-se de ser verdadeiramente cristão e da única possibilidade de também nós sermos perdoados pelo Pai.

Dom Walter Jorge Pinto – Bispo Diocesano da Camapnha

Foto de Diocese da Campanha

Diocese da Campanha

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