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O SONO DA SANTÍSSIMA MÃE DE DEUS E SUA ASSUNÇÃO AO CÉU

O SONO DA SANTÍSSIMA MÃE DE DEUS E SUA ASSUNÇÃO AO CÉU

capa 4Sobre o fim da vida terrena da Bem-aventurada Virgem Maria, comenta São João Damasceno: “a Mãe de Deus não morreu de doença, porque ela por não ter pecado original não tinha que receber o castigo da doença. Ela não morreu de velhice, porque não tinha que envelhecer, pois ela não tinha o castigo do pecado dos primeiros pais: envelhecer e acabar por fraqueza. Ela morreu de amor. Era tanto o desejo de ir para o céu onde estava o seu filho, que este amor a fez morrer”.

Com beleza poética, desde a antiguidade cristã, a Tradição da Igreja carrega uma bela narrativa a respeito dos piedosos acontecimentos em torno do fim da vida terrena de Maria Santíssima. De acordo com a Tradição, Maria, tendo passado sua vida depois do Pentecostes apoiando e servindo a Igreja nascente, estava vivendo na casa do apóstolo João em Jerusalém, quando o arcanjo Gabriel lhe revelou que sua morte ocorreria em três dias. Os doze apóstolos, que estavam espalhados pelo mundo, teriam então sido milagrosamente transportados para estar ao seu lado em seu leito de morte. A única exceção teria sido Tomé, que se atrasou. Acredita-se que ele tenha chegado três dias depois da morte de Maria, e ele a teria visto partindo numa nuvem em direção ao céu. Tomé perguntou-lhe “Onde estás indo, ó Santificada?” Ela então tomou a sua cinta e deu-a para o apóstolo dizendo “Recebe isto, meu amigo!” e desapareceu.

Tomé foi levado para seus companheiros e pediu para ver o túmulo de Maria, de modo que pudesse se despedir dela, que havia sido enterrada no Getsêmani. Quando eles chegaram ao túmulo, o corpo da Virgem havia desaparecido e restava apenas uma doce fragrância.

Esta doutrina católica defendida desde Antiguidade, e já celebrada solenemente desde o século V, aponta que Maria, após sua “dormição”, foi “assumida” no céu de corpo e alma. A Igreja, utilizando-se da linguagem das Escrituras Sagradas, não poucas vezes, fala da morte com a expressão “dormição” ou “cair no sono” (em grego: Κοίμησις – coemetērium; de onde vem “cemitério”, um lugar onde “dormem” os mortos). O Papa Pio XII, em 1950, na sua Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, definiu dogmaticamente a Assunção da Virgem Maria. Assim, a memória desses acontecimentos é tratada como Dormição e Assunção de Maria, celebrada pela Igreja em 15 de agosto.

Em nossa paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Serranos/MG, na Assembleia Paroquial de Pastoral, realizada em março de 2020, foi apontado que na celebração dos 180 anos de nossa paróquia, colocaríamos como uma das metas o resgate de algumas tradições valiosas que se perderam ao longo do tempo. Dessa forma, a festa da Dormição e Assunção de Nossa Senhora, celebrada solenemente pela última vez no período do Pe. Félix Guida (década de 1940), foi resgatada. No inventário de um antigo livro de tombo narravam-se os festejos e acusava a existência das imagens da Boa Morte e da Assunção.

Tendo resgatado essa belíssima tradição, nossa paróquia tem celebrado os festejos da Dormição e Assunção de Nossa Senhora, mesmo que de forma mais simples e sóbria. Na vigília da solenidade, a Dormição de Maria é celebrada com a oração do Santo Rosário ao longo de todo dia, sendo concluída com o ofício. Após a Santa Missa, realiza-se a piedosa procissão de N. S. da Boa Morte em sua santa Dormição. No dia seguinte, a solenidade da Assunção, marcada pelas missas solenes, tem no seu termo a procissão festiva da Assunção de Nossa Senhora acompanhada pela corporação musical. Além de nossa paróquia de Serranos, outras paróquias da diocese da Campanha preservam essa tradição, como: a Paróquia Santo Antônio da Campanha, na Igreja Catedral; a Paróquia N. S. da Conceição de Aiuruoca, na Igreja Matriz; e a Paróquia Santa Maria de Baependi, na Igreja da Boa Morte.

Nesse santo dia do trânsito de Maria para o Céu, a piedade cristã canta belamente esse acontecimento, com as seguintes palavras:

Dorme Senhora, teu sono suave, cercada de encantos,
Dos anjos as vozes dolentes te embalam,
Dolentes também cá na terra, os sinos badalam;
Anunciam ao mundo: Senhora é morta!
Mas se dormes Senhora, morta não estais,
Se morta estivésseis, não haveriam cantos, e todos os encantos,
Já não existiriam…
Acaso morreu realmente a Mãe do Senhor?
Teu rosto é suave, fresca a face, teus olhos entreabertos me fitam, não é ilusão!
Se morta estais, parece que dormes, e se não dormes de fato morreste?
Um tanto confuso, ainda mais admirado, de todo enlevado só posso pensar:
Morreu é fato, a Mãe do Senhor,
Provou na verdade da vida a dor.
Na morte, no entanto, nada terreno a tocou.
Morreu a Senhora, a Mãe do Senhor,
Ferida na alma, aberta gozosa o dardo aceitou.
Se morreu é um fato, ninguém contradiz,
E responda a pergunta sobre esta morte aberta,
Morreu de que a Senhora, a Mãe do Senhor?
Outra morte não sofreria, esta Senhora: simplesmente morreu de amor!

Pe. Guilherme da Costa Vilela Gouvêa – Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso – Serranos/MG

 

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