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O Culto ao Sagrado Coração de Jesus

O Culto ao Sagrado Coração de Jesus

brasao-dom-pedroNo mês de junho celebramos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Cabe ressaltar que tal culto encontra aprovação litúrgica por parte da Igreja na segunda metade do século XVIII, isto é, antes mesmo da tão conhecida revelação privada e dos escritos de Santa Margarida Maria. Em 25 de janeiro de 1765, o Papa Clemente XIII aprovou o referido culto como expressão do desejo de muitos fiéis católicos. E em 06 de fevereiro do mesmo ano, a Sagrada Congregação dos Ritos concedeu aos bispos da Polônia e à Arquiconfraria Romana do Sagrado Coração de Jesus a faculdade de celebrar esta festa litúrgica, que hoje está presente em toda a Igreja, como um ato que nos recorda o Amor de Deus por nós que levou seu Filho Salvador a se doar na Cruz como vítima de expiação pelos nossos pecados. Grande e eloquente lógica de um Deus que só quer amar.

Em 23 de agosto de 1856 o papa Pio IX, que há dois anos antes havia proclamado o dogma da Imaculada Conceição, acolhendo as súplicas dos bispos da França e de quase todo o mundo, estendeu a toda Igreja a festa do Sacratíssimo Coração de Jesus e prescreveu a sua celebração litúrgica. Desde então, o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus superou algumas distorcidas interpretações e difundiu-se pelo mundo inteiro. Não faltam fundamentos bíblicos para este culto pautado na plenitude da Misericórdia de Deus, na qual “se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor pela humanidade” (Tt 3,4); pois “Deus enviou seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,17). Estas são algumas das muitas passagens da Escritura que incrementam e fundam o fervoroso culto ao Sagrado Coração de Jesus.

O Sacratíssimo Culto constitui uma forma de piedade não sentimentalista ou emotiva, mas prática e dinâmica, enquanto ele quer expressar o movimento da alma cristã não só a uma contemplação de um amor sensível, mas de um Amor-Caridade inspirado no Verbo Encarnado. Por isso, não cabe aqui um ato formal de adoração a uma pura imagem. “Mas a alma fiel, venerando o Coração de Jesus, adora juntamente com a Igreja o símbolo e como que a marca da Caridade divina, Caridade que com o coração do Verbo encarnado chegou até a amar o gênero humano contaminado de tantos crimes” (Pio XII, Carta Encíclica Haurietis Aquas, n. 58).

Portanto, o culto ao sacratíssimo Coração só tem sentido para nós se ele for pautado na consciência que devemos ter que Jesus, Verbo encarnado do Pai, é o amor que Ele teve e ainda tem por nós. Isto significa que “o culto ao Sacratíssimo Coração de Jesus é o culto ao amor com que Deus nos amou por meio de Jesus Cristo, e, ao mesmo tempo, o exercício do amor que nos leva a Deus e aos outros homens” (Pio XII, Carta Encíclica Haurietis Aquas, n. 60). Não há outro modo de nós aperfeiçoarmos o nosso amor a Deus e aos homens senão que seguindo o imperativo deixado por Jesus: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34).

Por fim, nesta verdade fundamental deixada por Jesus é que nos certificamos que o sagrado culto não se trata de uma piedade qualquer, mas de uma prática religiosa que nos educa e aprimora na busca da perfeição cristã. Se assim não fosse, seria um culto vazio. Mas, ao contrário, ele nos empenha no cumprimento do dever do amor e da expiação a fim de melhorarmos nossa relação com Deus e com os outros, além de nosso proveito espiritual. Não nos faltam testemunhos de inúmeras conversões individuais de toda sorte de fiéis. Que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus produza copiosos frutos em nós, conformando nossas vidas à prática da lei evangélica do Amor.

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