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FRATERNIDADE: biomas brasileiros e defesa da vida.

FRATERNIDADE: biomas brasileiros e defesa da vida.

cf-01Todos os anos, a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal, como itinerário do cultivo e do cuidado comunitário e social. Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida é o tema da Campanha para a Quaresma em 2017. O lema é inspirado no texto do livro do Gêneses 2,15: cultivar e guardar a criação: cuidar da criação de modo especial dos biomas brasileiros, com de Deus e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos à luz do Evangelho. (TB,2017,p.9)

O Tema, de forte apelo ecológico, se justifica enquanto preocupação fraterna por vários motivos: primeiro porque assistimos e vivenciamos um momento de graves perturbações ambientais que na extremidade final de suas conseqüências atingem a todos, especialmente os mais fragilizados, independentemente do protagonismo causal. Segundo porque quando falamos de Biomas, estamos nos referindo a um complexo de ecossistemas interligados, interdependentes e solidificados, que são fruto de um longo processo evolutivo geo-cultural que, em sendo ameaçados certamente revidarão e o farão de tal monta que “antes que destruamos os biomas, seremos destruídos por eles”(Campanha da  Fraternidade de 2017:uma nova concepção de vida fraterna – Nicolau João Bakker, SVD).

Não se trata, portanto, de “salvar algumas espécies animais ou vegetais raras, o que também é importante, mas trata-se de assegurar que milhões de pessoas tenham água limpa para beber, ar puro respirar, possam levar uma vida digna, ter acesso aos bens do desenvolvimento integral, boas condições de saúde e possam continuar se relacionando com a criação, da qual faz parte.

Finalmente, para não nos alongarmos, pois, poderíamos elencar ainda várias razões, o tema nos provoca a reflexão acerca da consciência ambiental cristã e seus fundamentos éticos e morais que extrapolam as questões puramente lógicas e biológicas relativas à degradação ambiental.

Nesse sentido, considerando que o ambiente é o lugar onde as pessoas vivem e convivem, todo ato de degradação cometido contra o meio ambiente, é por extensão também cometido contras as pessoas e contra si mesmo; é crime. Ora, qualquer crime é um pecado e o pecado é ofensivo a Deus. Daí, por simples dedução, concluímos que pecar contra si e contra os outros é igualmente pecar contra Deus. Portanto, “se os desertos exteriores se multiplicam no mundo, porque os desertos interiores se tornam tão amplos, a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior” (LaudatoSit, 217).

Pois bem, em consonância com a Igreja do Brasil e atenta ao apelo pela conversão, nossa Diocese, através do CODIPA – Conselho Diocesano de Pastoral, promoveu no domingo dia 12 de fevereiro, uma tarde de formação, em nível de Forania, onde lideranças leigas, religiosos(as) e presbíteros tiveram a oportunidade de conhecer o tema, refletir e debater suas implicações e conseqüências diretas sobre nossa Diocese, paróquias e comunidade, inseridas no coração do bioma Mata Atlântica, certamente o mais degradado entre os demais, em razão de uma história que remonta aos tempos da colonização, quando aqui chegaram os primeiros colonizadores portugueses.

Fizeram se presentes 56 paróquias, regiões pastorais, movimentos e comunidades, com um total de 341 participantes, que agora têm com missão levar a reflexão aos CPPs e bases paroquiais, de tal modo que a Campanha da Fraternidade 2017 não passe como mais uma entre tantas que, finda a Quaresma, seja igualmente esquecida e seu tema se transforme em mais um título nas prateleiras de nossas bibliotecas.

Concluindo, atentos às palavras do papa emérito Bento XVI que nos adverte para o fato de que a questão ecologiadiz respeito à Igreja, enquanto essa tem uma responsabilidade inerente pela criação, além do dever de proteger o ser humano da destruição de si mesmo, (CF 2017,255), procuremos tomar consciência de que “viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial de uma existência virtuosa. (LautadoSit 217)

Marcelo Peterle Pereira Dantas

Assessor do GRADI

Fevereiro de 2017-02-19

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