Fiéis de toda a diocese, padres e religiosos se reuniram para celebrar a unção, a missão e a unidade do povo de Deus.
A Quinta-feira Santa marca oficialmente o encerramento da Quaresma e abre caminho para o Tríduo Pascal, que se inicia ao entardecer. Ainda é um dia de recolhimento e preparação, mas já anuncia a proximidade da alegria pascal que se aproxima. O Tríduo celebra a Páscoa de Jesus em três momentos fundamentais: a Páscoa da Eucaristia, na Missa da Ceia do Senhor; a Páscoa da Cruz, na Celebração da Paixão; e a Páscoa da Ressurreição, na Solene Vigília Pascal. É nesse contexto de transição entre o silêncio quaresmal e a luz da Páscoa que a manhã da Quinta-feira Santa ganha um significado especial.
Logo cedo, fiéis de diversas comunidades da Diocese da Campanha se reúnem na Catedral para a Missa do Crisma, também chamada de Missa da Unidade. A celebração recorda a instituição do sacerdócio e manifesta a comunhão do clero com o bispo diocesano. Durante a liturgia, são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos, e é consagrado o Santo Crisma, que será utilizado ao longo de todo o ano nos sacramentos do Batismo, Crisma e Ordem. É um momento de profunda identidade eclesial, que renova a missão da Igreja e fortalece a unidade do povo de Deus.
Ecce Sacerdos Magnus
A Missa do Santo Crisma tem como marca mais evidente a presença expressiva do clero reunido ao redor do bispo diocesano. Na Catedral Santo Antônio, em Campanha, padres de diversas paróquias e comunidades se unem ao seu pastor para celebrar a unidade da Igreja. É um momento forte de comunhão, no qual o presbitério se coloca ao lado daquele que recebeu o múnus de governar, evangelizar e santificar o povo confiado à Diocese. No último dia 2 de abril, conforme estimativas, cerca de 150 sacerdotes estiveram presentes na celebração. A Diocese da Campanha conta com aproximadamente 100 padres entre diocesanos e religiosos, mas durante a Semana Santa o número cresce significativamente. Sacerdotes de congregações e institutos religiosos são convidados para auxiliar nas confissões, pregações e atendimentos pastorais, elevando em cerca de 50% o número de padres atuando no território diocesano nesse período. Esse reforço evidencia a importância pastoral da Semana Santa e a vitalidade da Igreja local.
A antífona proposta pelo Missal para esta celebração é retirada do livro do Apocalipse (1,6): “Cristo Jesus fez de nós um Reino que constituiu sacerdotes para Deus, seu Pai.” O versículo expressa a dignidade recebida no Batismo, que nos incorpora ao sacerdócio de Cristo e nos torna participantes de sua missão. Em Cristo, a humanidade é elevada à condição de povo sacerdotal, chamado a oferecer a própria vida como culto agradável a Deus. Essa verdade ilumina o sentido da Missa da Unidade: o sacerdócio ministerial existe para servir e fortalecer o sacerdócio comum dos fiéis. Tradicionalmente, o Coral Campanhense participa da celebração entoando o antigo canto Ecce Sacerdos Magnus, executado na entrada do bispo. O texto é inspirado em um fragmento do livro do Eclesiástico (44,20), parte de uma série de louvores aos grandes homens de Israel. O autor sagrado exalta figuras que, pela fidelidade e pela sabedoria, se tornaram sinais da presença de Deus no meio do povo — e a liturgia aplica esse louvor ao ministério episcopal, que continua a missão de guiar e santificar a comunidade cristã.
Entre os fiéis presentes, muitos carregam histórias de longa participação nessa celebração. É o caso de Maria das Graças Benedito, ministra da comunhão e catequista, que recorda com emoção sua vivência desde os tempos de Dom Othon Motta. Em suas palavras: “Quando chega esse momento, é um momento tão bonito! Com muitos padres aqui presentes, a nossa catedral fica linda, maravilhosa! Então, esse dia de hoje para nós é um dia maravilhoso, é um dia abençoado.” O testemunho dela traduz o sentimento de muitos que veem na Missa do Crisma um sinal concreto da unidade da Igreja e da força da fé que sustenta a caminhada das comunidades.
Muitos presentes expressaram a alegria de viver esse momento tão especial da vida diocesana. A professora Maria Aparecida Miranda Muniz, zeladora do Apostolado da Oração, destacou a importância de estar presente e de rezar pelo clero: “É muito importante estar aqui, na presença de toda a diocese, de todos os padres, e também do nosso bispo Dom Walter, que chegou há apenas dois meses. Sem padre não tem Eucaristia, então precisamos sempre rezar por eles. Hoje mesmo acordei cedo para rezar o rosário por todos os padres da nossa diocese, com muito carinho e dedicação, porque sei da entrega deles às nossas comunidades e de onde vieram para estar aqui hoje.” A fala da professora Cida traduz o sentimento de gratidão e cuidado espiritual que muitos fiéis carregam no coração.
O senhor Alex Goulart Borges, integrante da Pascom e da Renovação Carismática Católica da Paróquia Sagrada Família, em Três Corações, reforçou essa mesma percepção de unidade. Para ele, participar da Missa do Crisma é reconhecer a beleza da Igreja reunida. Como ele afirma: “É muito importante estarmos aqui, vindos de tantas paróquias, para contemplar a beleza que a nossa Igreja transmite aos fiéis. E também para lembrar o quanto é essencial sermos irmãos e irmãs unidos em Cristo, caminhando como uma só Igreja.” O depoimento de Alex confirma que a Missa do Crisma não é apenas um rito litúrgico, mas uma experiência de comunhão que fortalece a identidade e a fé do povo de Deus.
Logo após a homilia, acontece um dos momentos mais significativos da celebração: a renovação das promessas sacerdotais. Os padres reafirmam publicamente os compromissos assumidos no dia da ordenação, renovando o desejo de servir com fidelidade, viver em comunhão com o bispo e dedicar a vida ao povo de Deus. É um gesto simples, mas profundamente simbólico, que reaviva a identidade sacerdotal e fortalece a missão evangelizadora. Para o povo, é também um momento de gratidão e de oração pelos seus pastores, que se colocam novamente diante de Deus para dizer “sim” ao chamado recebido.
Os Santos Óleos
Um dos momentos mais significativos da Missa do Crisma é a bênção dos Santos Óleos, que serão utilizados ao longo de todo o ano nos sacramentos da Igreja. O bispo abençoa primeiro o Óleo dos Catecúmenos, usado no Batismo, pedindo a Deus que conceda força espiritual aos que se preparam para renunciar ao pecado e abraçar a vida nova em Cristo. Em seguida, é abençoado o Óleo dos Enfermos, recordando a antiga tradição bíblica que vê no óleo um remédio que restaura as forças do corpo e da alma. Inspirado na carta de São Tiago, esse óleo é aplicado aos doentes para trazer conforto, cura e perdão, fortalecendo-os nas provações. Cada bênção expressa a proximidade de Deus com seu povo, especialmente nos momentos mais delicados da vida.
Por fim, acontece a consagração do Santo Crisma, o óleo mais solene da liturgia e aquele que dá nome à celebração. Diferente dos demais, o Crisma recebe a mistura de um bálsamo perfumado, simbolizando a presença suave e transformadora de Cristo. Esse óleo é utilizado nos sacramentos do Batismo, da Crisma e da Ordem, marcando os fiéis com o selo do Espírito Santo e inserindo-os profundamente no mistério pascal de Cristo morto e ressuscitado. A unção crismal expressa a dignidade real, sacerdotal e profética do cristão, chamado a irradiar no mundo o “bom perfume de Cristo”. É um gesto que une tradição, beleza e significado espiritual.
Neste ano, a irmã Maria Lucineide Maciel, da Congregação das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, participou levando a ânfora que continha o bálsamo misturado ao Crisma, e descreveu o momento com grande emoção. Para ela, a experiência a fez recordar a cena bíblica em que Maria unge os pés de Jesus com perfume. Em suas palavras, “conduzir esse óleo, esse perfume que vai ungir os sacerdotes e os bispos, foi uma imensa alegria. Eu me coloquei em oração, pedindo pelo crescimento da Igreja, pelo fortalecimento das vocações e para que surjam novos chamados à santidade. O Senhor quer todos nós com Ele, e esse perfume é também um sinal do nosso desejo de levar o Reino de Deus a todos.” A fala da irmã traduz a espiritualidade profunda que envolve esse rito e mostra como a liturgia toca o coração de quem participa.
A Homilia
Em sua homilia, Dom Walter Jorge Pinto, bispo diocesano, destacou a importância da unidade na vida da Igreja. Falou da comunhão entre o clero e o bispo, dos leigos com seus párocos e da necessidade de todos caminharem juntos, como uma Igreja verdadeiramente sinodal. Ressaltou que a Boa Nova do Evangelho não combina com divisões, disputas ou polarizações, pois o anúncio de Cristo Ressuscitado é sempre um convite à reconciliação e à fraternidade. Para o bispo, a Missa do Crisma é um sinal visível dessa unidade, que se expressa na presença do presbitério reunido e na participação viva do povo de Deus.
Ao longo da homilia, Dom Walter aprofundou o sentido espiritual da Missa do Crisma, lembrando que ela antecipa o júbilo pascal e manifesta a força da unção do Espírito Santo na vida da Igreja. Ele destacou que os Santos Óleos são sinais da graça do Ressuscitado, que fortalece os catecúmenos, consola os enfermos e consagra aqueles que assumem o ministério ordenado. Enfatizou também a missão da Igreja no mundo atual, chamada a levantar os abatidos, iluminar os que estão nas trevas e devolver esperança aos que sofrem. Dirigindo-se aos padres, encorajou-os a renovar com alegria as promessas sacerdotais, a viverem a fidelidade ao chamado e a buscarem apoio mútuo diante dos desafios do tempo presente. Por fim, convidou toda a comunidade a agradecer o dom de ser Igreja neste século XXI e a enfrentar as batalhas espirituais com a força da unção divina, que se manifesta na Eucaristia e nos Santos Óleos consagrados.
Você pode conferir a íntegra da homilia de Dom Walter acessando a página da Diocese da Campanha (www.diocesedacampanha.org.br (diocesedacampanha.org.br in Bing)) e assistir à gravação completa da Missa no canal oficial da Diocese no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=Ynk8kD9GpZs
A música da celebração
Como já é tradição, a Pastoral Litúrgica Diocesana ficou responsável pela organização da celebração, e neste ano convidou a Paróquia de Pedralva para assumir toda a parte musical da Missa do Crisma. O coro, regido por Átila Pereira Justo, preparou-se intensamente para este momento tão especial da Semana Santa. Segundo ele, foram três meses de ensaios dedicados, sempre com o desejo de oferecer o melhor para Deus e para a comunidade. Átila contou que a experiência não foi apenas técnica, mas profundamente espiritual para todos os envolvidos. Em suas palavras, “a Missa do Crisma é um dos momentos mais encantadores dentro da música sacra. Foram dias intensos de ensaio — quatro horas, duas vezes por semana — e, graças a Deus, deu tudo certo. A cada encontro, nós rezávamos juntos, e isso fortalecia ainda mais a nossa espiritualidade e a própria celebração.” O empenho do coro ajudou a dar à liturgia a beleza e a solenidade que este dia pede.
A Reportagem Fotográfica
A Pascom Diocesana também preparou um material fotográfico especial para registrar os momentos mais marcantes da celebração. Você pode acessar a reportagem completa diretamente pelo site da Diocese da Campanha ou, se preferir, conferir as imagens no Instagram oficial: @diocesedacampanha. É uma oportunidade de reviver a beleza da Missa do Crisma e de perceber, em cada detalhe, a fé e a unidade que marcaram este dia tão significativo para toda a nossa Igreja particular.
Flávio Maia Custódio
Equipe diocesana da Pascom

















