A Quaresma é um tempo muito especial dentro da vida da Igreja, inserida no chamado Ciclo da Páscoa, que abrange desde a preparação até a celebração da Ressurreição do Senhor. Ela funciona como um grande retiro espiritual, no qual cada fiel é convidado a viver com mais intensidade o tripé quaresmal: jejum, esmola e oração. Ao longo dessas semanas, muitas práticas devocionais ganham força, como a guarda das sextas-feiras, os exercícios de penitência, a Via-Sacra e os encontros em família para refletir o tema da Campanha da Fraternidade. Entre essas tradições, uma que permanece viva em muitas comunidades é a meditação das dores de Maria na semana que antecede a Semana Santa. É o chamado Setenário das Dores, no qual, a cada dia, os fiéis se reúnem para contemplar uma das dores da Mãe de Jesus — uma devoção antiga, provavelmente de origem portuguesa, como grande parte da nossa religiosidade popular.
A devoção a Nossa Senhora das Dores tem raízes profundas na história da Igreja e ganhou forma especialmente a partir da espiritualidade dos Servitas, uma ordem religiosa surgida na Idade Média. Esses religiosos dedicaram-se a contemplar o sofrimento de Maria aos pés da cruz e difundiram essa devoção por toda a Europa. Com o passar dos séculos, a figura da Virgem Dolorosa se multiplicou em diferentes expressões de fé, como Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora da Agonia e Nossa Senhora da Soledade. Cada título ressalta um aspecto da dor materna diante do mistério da Paixão. As sete dores tradicionalmente meditadas são: a profecia de Simeão; a fuga para o Egito; a perda do Menino Jesus no Templo; o encontro com Jesus no caminho do Calvário; a morte de Jesus na cruz; a descida de Jesus da cruz; e o sepultamento do Senhor. São momentos que revelam não apenas o sofrimento de Maria, mas também sua fidelidade inabalável.
O Setenário das Dores funciona como uma verdadeira preparação próxima para a Semana Santa. Ao meditar cada uma das dores de Maria, o fiel vai entrando, pouco a pouco, no clima espiritual que marca os dias santos. A Semana Santa é o coração do ano litúrgico, quando a Igreja recorda os principais acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Contemplar as dores de Maria antes desse período é reconhecer sua presença discreta, porém decisiva, na história da salvação. É perceber que ela esteve ao lado de Jesus nos momentos mais difíceis e que continua acompanhando a caminhada de fé de cada cristão. Assim, o Setenário não é apenas uma devoção antiga, mas um caminho espiritual que ajuda o fiel a viver com mais profundidade o mistério pascal.
Para quem deseja viver essa experiência de oração, a Diocese da Campanha preparou um conteúdo especial no Instagram: @diocesedacampanha (tudo junto). A partir deste domingo, será publicado diariamente um carrossel com uma breve meditação sobre cada dor de Maria, sempre logo pela manhã, para acompanhar o seu momento de oração. É uma oportunidade de transformar a rotina em encontro com Deus e de preparar o coração para a Semana Santa, mesmo dentro de casa. Vale a pena acompanhar, compartilhar e rezar junto com toda a comunidade diocesana.
Que este Setenário das Dores renove a fé, fortaleça a esperança e nos conduza com Maria ao encontro do Cristo que vence a morte e nos oferece a vida nova da Páscoa.
Flávio Custódio Maia – Equipe diocesana da Pascom
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