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Alegria do Amor: Uma pastoral da Misericórdia

Alegria do Amor: Uma pastoral da Misericórdia

brasao-dom-pedroA Exortação Pós-sinodal AmorisLaetitia, publicada na Solenidade de São José do ano corrente, deixa transparecer, em muitos aspectos, que o Sínodo dos bispos assumiu a tarefa de examinar a situação das famílias de hoje, procurando oferecer orientações pastorais capazes de fortalecer os casais que se mantém fiéis ao matrimônio, apesar de muitos ventos contrários, sem contudo deixar de nos enriquecer com algumas orientações pastorais capazes de curar as pessoas feridas por um fracasso na vida matrimonial; além de ajudar as famílias em situações irregulares, mas que aspiram uma vida de autêntica graça sacramental.

Dentre os nove capítulos que compõem a referida Exortação, não podemos deixar de destacar o sexto, que trata das perspectivas pastorais entendidas como uma pastoral da misericórdia em que se deve procurar, fundamentalmente, salvar o homem e a mulher dos temores hodiernos que dificultam a percepção da felicidade na resposta a tão singela e importante vocação que, cada vez mais, exige de todos nós uma organização pastoral de preparação para o matrimônio e acompanhamento das famílias; sem, contudo, desprezar uma acolhida aos divorciados recasados que aspiram regularizar sua participação eclesial. Estes devem ser acolhidos pelo calor do Amor misericordioso, a fim de que encontrem o caminho de conversão e crescimento espiritual, restabelecendo sua união com Cristo.

Portanto, não nos esqueçamos que “aqueles que fazem parte da Igreja precisam de uma atenção pastoral misericordiosa e encorajadora” (A. L., N,293). Essa exigência na ação pastoral da Igreja requer, sobretudo dos pastores ou ministros da misericórdia, uma verdadeira promoção do matrimônio cristão, sem negligenciar o discernimento pastoral das situações de pessoas que deixaram de viver esta realidade. Neste caso, a lógica da integração passa a ser a chave de todo este acompanhamento pastoral, pois como lembra Papa Francisco: “o caminho da Igreja é o de não condenar eternamente ninguém; já que o caminho de Jesus é o da misericórdia e da integração” (A. L., n,296).

Por fim, somos chamados a assumir uma postura de um discernimento pessoal e pastoral que favoreça um autêntico itinerário de acompanhamento aos mais necessitados. Tal atitude quer reforçar a confiança na misericórdia de Deus que não deve ser negada a ninguém.

 

D. Pedro Cunha Cruz

Bispo Diocesano da Campanha-MG

 

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