/
/
/
Clero da Campanha realiza seus exercícios espirituais

Clero da Campanha realiza seus exercícios espirituais

Movidos por um sincero e renovado desejo de conformar a própria vida Àquele que “sofreu por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos” (1Pd 2,21), e cumprindo as normativas canônicas, os sacerdotes e diáconos transitórios do clero diocesano da Campanha reuniram-se, entre os dias 9 e 12 deste mês, na cidade de Passa Quatro, para a realização dos seus exercícios espirituais anuais. Tratou-se de um tempo privilegiado de graça (Kairós), no qual os presentes, recolhidos no silêncio orante, buscaram haurir das fontes da Palavra a renovação interior necessária à fecundidade do ministério ordenado.

Sob a serena e precisa assessoria de Dom Nivaldo dos Santos Ferreira, mui digno bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, os participantes foram conduzidos a tomar a Primeira Carta de Pedro (1Pd) como verdadeiro itinerário espiritual e programático para a devida vivência do sagrado ministério ordenado. A epístola petrina, marcada por forte densidade eclesiológica e espiritual, apresentou-se como um espelho no qual o ministro ordenado pode contemplar a própria identidade: chamado a ser “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido” (1Pd 2,9), não para si mesmo, mas para proclamar as maravilhas d’Aquele que o chamou das trevas à sua admirável luz.

Num profundo espírito de interiorização e revisitação ao Cristo oblativo, o “Pastor e Guarda das vossas almas” (1Pd 2,25), os clérigos foram convidados a redescobrir o amago de sua configuração sacramental: participar dos sofrimentos de Cristo para também participar de sua glória (cf. 1Pd 4,13). Em tempos marcados por inquietudes culturais, tensões pastorais e desafios eclesiais, a meditação da carta petrina, como enfatizou D. Nivaldo, é como um apelo à firmeza e à esperança: “Estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança” (1Pd 3,15). Assim, longe de se esquivarem das interpelações do tempo presente, os ministros ordenados foram exortados a enfrentá-las com caridade pastoral, autenticidade evangélica e, sobretudo, inabalável confiança na ação da graça; esta, que exige dos ministros ordenados perfeita oblação e total desprendimento do ensimesmamento.

Além das prédicas densamente fundamentadas na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, os dias foram permeados por intensos momentos de oração silenciosa, celebração da santa Missa, adoração e convivência fraterna. Desta forma, o clero diocesano, concretamente, demonstrou o seu real desejo de dar cumprimento ao imperativo petrino de que os ministros de Deus “[sejam] todos unânimes, compassivos, cheios de amor fraterno, misericordiosos e humildes” (1Pd 3,8).

A ocasião revestiu-se ainda de particular significado eclesial por marcar o primeiro encontro de todo o clero reunido com Dom Walter Jorge Pinto desde sua posse episcopal, ocorrida em 17 de janeiro, na sé campanhense. À sombra da palavra petrina “Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado” (1Pd 5,2), bispo e colaboradores renovaram, ainda que silenciosamente, a consciência de sua missão comum: servir ao Povo de Deus com zelo, prudência e espírito de entrega, aguardando “a manifestação do Supremo Pastor” (1Pd 5,4), a quem pertencem a honra e a glória pelos séculos eternos. A ocasião revestiu-se de ainda maior júbilo pela comemoração do aniversário natalício de D. Walter Jorge, que na oportunidade celebrou o seu 63º ano de vida e se apresentou ao clero como amoroso pai e autoridade caridosa, pronto para fazer tudo o que o próprio Senhor nos pediu.

Com isso, o clero da Campanha, devidamente revigorado pela graça destes dias e profundamente agradecido a Deus pelo inestimável dom do ministério ordenado, bem como pela profícua e fraterna condução de Dom Nivaldo dos Santos Ferreira, confia-se, com filial abandono, à providência divina. Assim disposto e espiritualmente fortalecido, prepara-se agora, em comunhão com toda a Igreja universal, para adentrar os santos e intensos dias quaresmais, tempo favorável de conversão e aprofundamento do mistério da Cruz, em ordem à celebração do ponto culminante de todo o ano cristão: a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, centro e ápice da fé, fonte perene de vida nova para o mundo e do Sacramento da Ordem.

Diác. Felipe Henrique Rodrigues

Foto de Diocese da Campanha

Diocese da Campanha

Compartilhar:

Categorias:

Diocese

Formações

Leia Também

Neste artigo apresentamos brevemente uma importante compreensão sobre a identidade humana: a pessoa é o seu coração. Chamemos isso