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HOMILIA DE DOM WALTER JORGE NA MISSA DE POSSE EM NOSSA DIOCESE

HOMILIA DE DOM WALTER JORGE NA MISSA DE POSSE EM NOSSA DIOCESE

Caros irmãos e irmãs, que alegria estarmos aqui reunidos na presença daquele que é a razão última de todas as coisas e que em Jesus Cristo nos fez e faz saber do seu amor incondicional pela humanidade!

Quero saudar aos meus irmãos, os bispos, agradecê-los pela presença. Saúdo de modo especial Dom José Luiz Majella, Arcebispo Metropolita de Pouso Alegre e Dom José Lanza, bispo da nossa vizinha Diocese de Guaxupé, aos quais agora me associo para vivenciarmos de modo fraterno a missão episcopal na província de Pouso Alegre. Saúdo também aos meus antecessores, Dom Diamantino e Dom Pedro Cunha, em nome dos quais saúdo os demais bispos aqui presentes. Muito obrigado a vocês pela presença! Repito uma vez mais: digo a todos os senhores que é uma honra e uma grande alegria tê-los nesta celebração de posse, pois isso demonstra o apoio e a amizade que deve nortear nossa ação evangelizadora de modo colegiado.

Aos estimados padres do clero secular e religioso, da diocese da Campanha e de outras dioceses aqui presentes, acolho agora com grande satisfação, bem como aos seminaristas. Obrigado padres, obrigado diáconos, obrigado por serem de Cristo Jesus! Obrigado por estarem doando a vida de vocês na tarefa do Reino! Obrigado pelo testemunho e muito obrigado pela presença de vocês neste momento sagrado!

Às religiosas e aos religiosos, dirijo-me agora. Mulheres e homens corajosos que sinalizam com sua consagração ao Senhor aquela realidade misteriosa que aponta para todos que a vida é muito mais do que os nossos sentidos podem captar, que há uma realidade pela qual vale a pena perder a vida para ganhá-la, pela consagração de vocês religiosas, religiosos e pela presença que hoje louvo ao Senhor!

Acolho com reverência também as autoridades civis, saudando a todos os demais, na pessoa do Exmo. Sr. Prefeito de Campanha, o senhor Roberto Silva e nas pessoas dos senhores Gabriel e Cristiano, saúdo as autoridades militares e da Polícia Civil. Em suma, desejo aqui agradecer a presença dos senhores e senhoras, pois além de nos honrar, demonstra o apreço que têm pela nossa Igreja. Muito obrigado a vocês!

Queridos irmãos e irmãs, a amizade é algo tão nobre que Deus nos chama amigos e não servos. E ensina na sua palavra em Eclo 6, 14 que quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro. Assim, quero manifestar aqui o meu grande contentamento pela presença dos inúmeros amigos e amigas, vários de uma amizade já de longa duração e provenientes da Diocese de União da Vitória e de outras cidades por onde vivi a minha vida ao longo das várias etapas. Amigos de Ubá, de Viçosa, de Barbacena, de Ponte Nova e tantas outras mais. Saber que, além de irmãos no Senhor, nos tornamos também amigos que se escolhem, que se amam, que se apoiam numa amizade que resiste à prova do tempo. Isto possui um valor incalculável! Queridos amigos e amigas, sejam muito bem-vindos! Aos irmãos e irmãs da Diocese de União da Vitória, que vieram aqui se despedir, não de um modo definitivo, mas de um modo mais agora ligado à missão, eu queria pedir que ficassem em pé, por favor, porque é muito preciosa a presença de vocês, e eu pediria uma salva de palmas em agradecimento. Obrigado! Foi em União da Vitória, minha primeira diocese, que eu aprendi a olhar a igreja com olhar de bispo. Foi ali que, eles me ajudaram a entender a missão de bispo. Nunca mais eu vou esquecer vocês! Nunca mais eu vou esquecer aquilo que o Senhor nos fez viver juntos!

Eu acredito que todos aqui também concordam que a família é a base de tudo, não só da sociedade, mas também da vida pessoal de cada um de nós. Nós sabemos que a família é aquele “lugar” ao qual queremos sempre voltar, com a qual desejamos sempre estar. Assim, não posso deixar aqui de saudar os meus queridos familiares, que peço agora fiquem em pé, por favor. Minha querida mãe, Maria Aparecida, conhecida como Cici, mulher que nos ensinou a fé desde pequenos, não só com palavras, mas com um testemunho vivo, engajado, que subia a morros, que dava catequese, que se engajava em tudo o que podia para ajudar na tarefa do Reino. Aos meus irmãos que aqui estão, meu irmão Eduardo, minhas 3 irmãs, Elizabeth, Angélica e Rose, meu cunhado Ivo e cunhada Karine, meus sobrinhos e sobrinhas. Queridos familiares, muito obrigado pela presença e pelo apoio incondicional de vocês!

Nunca nos esqueçamos dos nossos irmãos e irmãs também de outras confissões religiosas. Como é importante que nós caminhemos juntos! O rebanho de Cristo é maior do que apenas a nossa Igreja. Quando cheguei à casa episcopal, lá estava um presente de uma pessoa membro da igreja da Congregação Cristã. Que bonito! Isto testemunha o desejo de caminharmos juntos para que o mundo creia. Os cristãos precisam ser um! Precisamos nos amar, nos respeitar, vivenciando profundamente a fé de cada um nas nossas igrejas, com segurança, mas sem jamais esquecer que nós somos um em Cristo.

Acolho não só os presentes, mas todos aqueles que nos acompanham também pela TV Canção Nova, pela TV Evangelizar, pelas mídias digitais da nossa diocese, em especial a nossa Rádio Diocesana FM 100.3. Agradeço a presença da Rede Vida. Que importante hoje para a fé contar com os meios de comunicação!

Queridos irmãos e irmãs, nós estamos aqui nesta celebração de posse canônica dessa querida igreja particular que é a diocese da Campanha. É um momento muito belo e denso de significados! Um momento eclesial de grande importância que remonta aos tempos apostólicos, a origem mesma da nossa Igreja, que em sua rica tradição coloca a sucessão apostólica entre os seus acontecimentos de maior valor.

Nesta celebração, na qual aconteceu já o rito da posse canônica, nós fomos orientados pela Palavra de Deus, a fim de que essa Palavra viva faça o nosso coração se convergir para aquele momento maior, que é o sacramento da Eucaristia, selando, uma vez mais, a aliança entre o Deus vivo e nós, a sua Igreja, do século XXI, a fim de formarmos um só corpo, para que o mundo realmente acredite que Deus está no meio de nós, que somos seguidores de um Deus vivo, de um Deus que não mora no passado ou num livro, mas de um Deus que habita no meio de nós e que nos fala palavras de vida eterna, como nós já pedimos nesta oração da coleta desta celebração.

A primeira leitura aponta para o pastor supremo desta igreja, o pastor ideal, guia e modelo para todos aqueles que Ele quis ou quer como pastores de sua igreja. Deste pastor aprendemos que devemos ser pastores que conduzam o rebanho para a vitória sobre a dispersão causada nos dias de trevas e escuridão. Pastores que procurem toda a ovelha perdida e que exerçam para com elas aquele cuidado amoroso que refaz, que fortalece e que não descuida também da ovelha nutrida e forte. Coração de pastor é o caminho e a realização do sacerdócio ministerial na igreja. Padres, coração de pastor é a fonte da realização de todos nós. Quando perdemos o coração de pastor, a dúvida, a tristeza, a melancolia entram, e aí já não temos aquela alegria que deveríamos ter na missão e na vida.

A segunda leitura aponta o caminho desta igreja que nós somos na imitação do Cristo servo, Cristo que se abaixa, que se esvazia para servir e salvar. Para fazer da igreja um corpo único onde todos os membros, imitando-o, considerem a fraternidade e o serviço uns aos outros, como meta do ser e do agir cristão.

Coroando a liturgia da Palavra, no Evangelho, Jesus nos ensina que o maior bem está em segui-lo, sem medo de perder a vida aparente que o modelo do mundo impõe. Sim, meus irmãos, minhas irmãs, somente perdendo a vida por amor é que se pode encontrá-la verdadeiramente. Isto é cristianismo! Este é o coração da nossa fé! Perder a vida por amor: fora do amor, não há nada! Como João da Cruz disse, no entardecer da vida, seremos julgados unicamente pelo amor. Só perdendo a vida é que o coração fica alegre, que essa alegre notícia, a notícia do evangelho, torna-se credível, torna-se para nós fonte de alegria, de força de viver e de paz.

Irmãos e irmãs, nós somos a Igreja hoje, na história do mundo atual, neste século XXI que nos assombra tanto com seus progressos, mas também com seus retrocessos. Não imaginaríamos mais ver tanta coisa que estamos vendo pois julgávamos a humanidade crescida, evoluída, ao ponto de não acontecerem as coisas que hoje os nossos olhos horrorizados contemplam. Mas nós somos esta Igreja deste tempo e não de outro! Somo a Igreja viva de Jesus Cristo! Nós somos a Igreja, portanto, que deve fermentar, iluminar e salgar o mundo presente.

Por isso, ao assumir a Igreja presente nesta porção do povo de Deus, a diocese da Campanha, como seu pastor próprio, gostaria de partilhar com todos os desejos mais profundos do meu coração. Sonho com uma igreja vibrante, que vibra nos muitos acordes da sinfonia do Espírito, que prodigaliza seus inúmeros dons conforme o querer sapientíssimo de Deus. Cristãos que vibrem pela alegria de edificar uma Igreja protagonista da história de seu tempo, que é luz, que é sal e fermento, e não uma igreja passiva, que apenas sofre e suporta a história como se não pudesse mudá-la.

Sonho com padres protagonistas de uma igreja toda ministerial! Padres que estejam no meio do seu povo, confirmando e incentivando os diversos ministérios e dons dos leigos e leigas. Clérigos que vivam o seu ministério na força do Espírito e com o coração ardendo de amor pelas palavras do seu Senhor e por eles, num contínuo ato de responder com amor a Jesus, que insiste em perguntar a todos nós consagrados: “Amas-me?” “Amas-me mais do que estes?”; e em continuar partilhando conosco sua missão ao dizer: “Se me amas, apascenta as minhas ovelhas”. Repito: fora do amor e desse amor primeiro a Deus e a Jesus Cristo, nossa missão jamais será bem-sucedida! Padres orantes que estejam diante do seu Senhor, que têm o coração derramado na presença do seu Senhor, que falem dele com uma intimidade daqueles que têm o coração sempre a arder porque estão na Sua presença. Esse é o clero que eu desejo e eu sei que vocês já são! Mas quero incentivá-los, colocar ainda mais brasa no coração de vocês, que arde por Jesus Cristo e se gasta por Ele. Para nossos padres, aos nossos diáconos, aos seminaristas, por favor, uma salva de palmas bem bonita. Obrigado, padres! Obrigado, padres! Obrigado, diáconos e seminaristas.

Sonho com uma Igreja decididamente missionária! Creio que não há outro caminho para a Igreja a não ser uma Igreja decididamente missionária, que só se consiga compreender a partir do envio de Cristo: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura”, aquela Igreja em saída como tanto insistia de modo profético o Papa Francisco, que não deixa ninguém para trás, que não se contenta com as noventa e nove ovelhas que estão no aprisco, mas que vai atrás da única que se perdeu e que faz festa por encontrá-la.

Irmãos, eu tenho a consciência de que não sou arrojado o bastante para conduzir a Igreja para o sonho e os caminhos desejados por Jesus. Como Santa Terezinha, que marcou a minha juventude e que ainda continua a falar ao meu coração, eu também posso dizer que das grandes águias, que são capazes de voar nas grandes alturas, eu também só trago o olhar e a inspiração do seu voar. Por isso, desde já, eu desejo declarar o meu desejo de me ver cercado de padres, de diáconos, de religiosos e religiosas, de seminaristas, de leigos e leigas, que me estimulem com seus dons; que me contagiem com seu ardor pelo evangelho de Jesus; com a sua alegria, por vezes até incômoda; que me desinstalem, que me joguem pra frente, que me façam ir aos pobres; que me façam amar mais a Jesus Cristo; que me contagiem com a sua alegria de ter encontrado o tesouro que é o Reino de Deus, para que juntos nós possamos seguir Jesus, seguir na bela e surpreendente tarefa da evangelização que há muitos e muitos anos, eu sei, já acontece nessa bela terra da Campanha.

E é por tudo isso que eu também acredito que a sinodalidade seja realmente o caminho do Senhor para a Igreja no século XXI, uma vez que, diante dos desafios gigantescos que temos pela frente, como a administração da inteligência artificial e o seu correto uso, o crescimento do autoritarismo no mundo e das desigualdades sociais, entre tantos outros desafios, somente por meio da complexa e difícil tarefa da sinodalidade, ou seja, do acolhimento do outro, da escuta paciente, da sincera escuta para a chegada de um discernimento comum à luz do Espírito de Deus, é que nós poderemos vislumbrar os caminhos que sejam os mais próximos daquela Verdade única, capaz de libertar verdadeiramente. Igreja da Sinodalidade, Igreja do Vaticano II, Igreja do Papa Leão, Igreja dos Bispos, Igreja dos Padres, Igreja dos Diáconos, dos Religiosos e Religiosas, dos Leigos e Leigas, Igreja dos Pobres, Igreja da Unidade, Igreja Povo de Deus. Eis a Igreja que eu amo sinceramente, que eu amo desde a minha juventude, e que faz crescer tal amor no meu coração, quanto mais eu vivo e me doo por ela! Eis a igreja que amo e pela qual convido todos a nos empenharmos e darmos o melhor de nós!

Sonho com uma igreja ministra da esperança! Essa virtude tão necessária que não permite viver a fé de maneira triste. Irmãos, há muita gente que tem fé, mas muita gente que tem uma fé triste, porque não tem esperança. Há muita gente portando essa fé triste por esta ausência, dessa esperança que não decepciona, como falou o jubileu que terminamos, mas cujos efeitos precisam continuar! Creio que a Igreja precisa levar a esperança até os rincões mais esquecidos, onde estão os irmãos e irmãs presidiários, pessoas entorpecidas pelos vícios, os idosos solitários e muitos, outros irmãos vivendo nessas periferias existenciais, misérias de todo tipo. E essa é a grande tarefa da evangelização, o único caminho real para que o mundo tenha vida. É necessário também que todos nos entendamos sempre mais, que tudo que temos é dom precioso que vem do alto, como dádiva a ser colocada a serviço de todos, e que sem a partilha, (eu vou dizer de novo essa palavra, tão preciosa, mas tão difícil de viver, que sem a partilha) não haverá um mundo melhor. Assim é preciso que quem ganha mais dinheiro encare isso como verdadeiro dom. Dom que Deus lhe deu para ajudar os seus irmãos e não apenas uma virtude conquistada de modo particular, fruto do próprio mérito e para ser usado apenas em favor de si mesmo e dos seus. Acreditar que as grandes maiorias devam morar e viver em periferias precárias, e em condições precárias é pecar gravemente contra o Deus de Jesus, que é o Pai de todos. A capacidade de gerar riquezas é um dom. E é preciso ser usado como um dom, ou seja, uma dádiva da qual se prestará contas a Deus acerca do que se fez com ela. Usar o dinheiro para fazer amigos que nos receberão nas moradas eternas, para ajudar a criar as condições de justiça que gera a paz entre os homens, eis a razão de se receber um dom assim, bem como outros dons semelhantes!

Meus caros, há muita história bonita nesta Diocese. Eu sei que aqui encontrarei tesouros enormes. Basta ver o que já produziu até hoje de santidade. Basta olhar para todo lado, basta ver o testemunho de Nhá Chica, do Padre Victor, da Bem-aventurada Teresa, de Don Otton. Basta olhar para todo lugar e a gente vê! Aqui o Reino tem acontecido há muitos anos. Que o Pai de Jesus Cristo me conceda a graça de me integrar a esta sua bela vinha e contribuir para o avanço da evangelização nestas terras, para sua maior glória!

À Virgem Maria, Senhora do Carmo, consagro uma vez mais o meu coração e a missão que ora Deus me confia, bem como à intercessão de Santo Antônio, exímio pregador do Evangelho do Senhor. Estamos nestas terras abençoadas, por isso invoco aqui a a proteção e a intercessão do Beato Padre Vitor, da Beata Nhá Chica, da Venerável Madre Teresa Margarida, conhecida carinhosamente como Nossa Mãe, e do servo de Deus Dom Othon. O Reino de Deus clama por todos nós. O Reino de Deus chama a todos nós para a sua tarefa na Igreja, no mundo! Que a sua intercessão nos ajude no sim que Deus espera de todos nós!

Finalizo dizendo e pedindo a vocês: conto com a ajuda e com a oração de todos e digo que a partir de agora, a Diocese da Campanha pode contar comigo! Que tudo façamos por Jesus e pelo evangelho.  Vamos dizer juntos: “Que tudo façamos por Jesus e pelo Evangelho!”. Em tudo, Deus seja glorificado. Amém.

 

 

Foto de Diocese da Campanha

Diocese da Campanha

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