PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE AIURUOCA-MG COMEMORA 301 ANOS - UM POUCO DA HISTÓRIA

Celebracao Aiuruoca 1Bem-aventurado é o povo que, por 300 anos de caminhada, teve como Estrela Guia, Mãe e Protetora própria de Deus – a Virgem Imaculada Conceição. Esse povo que, nos aglomerados em redor das minas, teve sede de uma riqueza maior: um lugar onde pudesse, reunido, conversar com o Pai do Céu. E foi assim que, nos sertões da Juruoca, essas pessoas fundaram no lugar chamado Freguesia Velha, a primeira capela; e escolheram, como padroeira NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO. Da sua existência tem-se notícias pelas anotações do Pe. José Diniz Ponce (que nela fora batizado pelo beneditino Frei José) documentos datados de 1711, encontrados no Arquivo Metropolitano de São Paulo.

A paróquia mesmo nasceu no ano de 1717, por ato episcopal de Dom Francisco de São Jerônimo, 3º bispo do Rio de Janeiro. O pároco Manoel Rabelo tomou posse em 1718 e ficou até 1725, quando também foi criada a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, que seria um arrimo da Paróquia.

A povoação crescia e resolveu-se construir uma igreja melhor, distante da primitiva um quilômetro, num lugar mais "ameno". É onde fica a atual.

Dois mineradores – Domingos Teixeira de Morais e Manoel Mendes de Carvalho – em 1742, doaram o patrimônio para a expansão do arraial e à Paróquia Nossa Senhora da Conceição. É onde está a Praça Monsenhor Nagel e a igreja atual. A condição era de que quem quisesse construir moradias, doasse uma certa importância para as despesas religiosas.

Os anos virando décadas e séculos, a paróquia crescia.

No decorrer do tempo, desde 1717 até 1919, a paróquia teve 40 párocos, quando chegou Monsenhor Antônio Fortunato Nagel. Como seus predecessores, era muito devoto da Imaculada e exerceu seus trabalhos com muita intensidade. No ano de 1936 projetou uma grande reforma na Matriz; em 1952, ainda outra, que foi concluída em 1954, sendo sagrada com toda solenidade em 06/06/1954, por Dom Inocêncio Engelke, bispo diocesano.

Monsenhor Nagel não só cuidou da Matriz: criou o hospital São Vicente de Paulo e a Conferência Vicentina para auxiliar na manutenção do mesmo. Em 1938, criou o Colégio Santa Edwiges, tendo conseguido junto ao Consulado Alemão e com a força do presidente Getúlio Vargas, a vinda das primeiras professoras e administradoras – as Freiras alemãs Franciscanas, que deram suporte ainda ao hospital. Como esse educandário era exclusivo para o sexo feminino (por exigência das Freiras) anos mais tarde começou a funcionar o Colégio São José, para o sexo masculino, o qual depois foi absorvido pelo João XXIII, regido pela CINEC. Esse pároco permaneceu por 45 anos, até sua morte em 10/09/1964. Sucederam-no, até 1967, mais 3 sacerdotes, quando, neste ano, foi nomeado pároco o Pe. Luís Vieira Arantes, filho da terra e que estudou algum tempo no Educandário Santa Edwiges. Esteve à frente deste rebanho aiuruocano por algum tempo, depois prestou seus relevantes serviços em outras paróquias desta Diocese. Durante o tempo em que aqui esteve, fez reformas na Matriz, desenvolveu a criação de capelas para dar assistência aos bairros distantes onde regularmente celebrava missas e promovia leilões. A última capela foi a do Pai Eterno, no bairro Campo Prático, que serviu de auxílio nas obras religiosas da Paróquia. Já alquebrado pela doença, celebrou lá até as vésperas de sua partida para os braços do Pai. Este pároco viabilizou também vários cursilhos para os paroquianos, com a ideia de despertar líderes religiosos na comunidade. Também fomentou encontros de casais e cursos preparatórios de noivos.

O último pároco, na vacância do Monsenhor Luís, foi o Padre Marco Antônio Iabrudi Filho, agora à frente da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Empreendeu com garra a reforma total da Igreja Matriz e a restauração das imagens, bem como a de muitas capelas. Para isto, promoveu festas e leilões, conclamando as pessoas a participarem ativamente.

Relembramos também o trabalho dos coadjutores no decorrer de todo este tempo, como o dos padres visitantes, todos incentivando a devoção à Maria. Não nos esqueçamos dos missionários, leigos, integrantes de todas as pastorais, que, tal qual um rebanho seguindo seu pastor, não medem sacrifícios para cumprir tudo, conforme se determinam as ordens superiores.

A Paróquia marcou sua presença no Seminário Diocesano de Campanha, onde se formaram muitos de seus filhos, aproximadamente 30, espalhados por toda parte, importantes portadores da Boa-Nova de Cristo.

Nesta homenagem salientamos ainda, com carinho, a participação das famílias que estiveram sempre ao lado dos párocos, trabalhando no crescimento da fé em todas as horas, desde o princípio até os dias atuais, caminhando como povo de Deus pelos sertões da Juruoca, rumo à Nova Canaã, ao lado de Maria.

E agora, ó Virgem Imaculada, padroeira desta terra, Mãe deste povo que se encontra a teus pés, estende mais ainda o teu manto sobre essa gente e essas plagas. Protege-o das armadilhas dos maus. Acolhe, com teu carinho de Mãe, todos aqueles que te foram confiados como filhos: os pioneiros que em 1717 erigiram a primeira Igreja, porque tinham saudades de ti. Porque precisavam do teu regaço para descansar. Protege o povo que te elegeu padroeira em 1717, esta comunidade que há 3 séculos caminha sob a tua orientação, em busca da Terra Prometida. Protege os nossos Guias, os párocos – desde o primeiro e no desenrolar dos anos até aqui; e os outros que ainda estão por vir. Acolhe-os em teus braços de Mãe, como também suas próprias mães, que os entregaram ao Sacerdócio, como dádivas do seu sangue. Protege igualmente os sacerdotes que aqui nasceram e tanto nos orgulham por propagar a tua devoção mundo afora. Protege todas as pessoas bondosas que estiveram presentes sempre no teu caminho, mas não te esqueças daqueles que se desviaram e busque-os para Deus. Que a luz da tua coroa de estrelas ilumine os roteiros para todos os viajantes destas plagas.

Ó Maria Imaculada, neste aniversário de 3 séculos de caminhada, recebe agora a oferta que traz o teu povo, como recebeste a do poema de Anchieta na praia de Iperoig, e os versos vibrantes do Pe. Antônio Tomás nos sertões cearenses. Nossos corações vibrando de afeto, abrem-se a teus pés, como se fossem flores. E encerrando, pedimos que aceite e acolha a nossa súplica, com o verso do poeta: "Ó, Tu, Mulher sem mancha, esconde-me, esconde-me em teu amor."

Maria Rosa Maciel Almeida

Sky Bet by bettingy.com